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Pesquisador sugere "criadouro" para combater o mosquito
15 de Fevereiro de 2016 ás 11:40 -

Segundo André Fonseca, cada pessoa pode ter em casa, e no trabalho, a própria armadilha contra o aedes

Pesquisador sugere

ORLANDO MORAIS JR DA REDAÇÃO  - MIDIANEWS

 

Na contramão do que recomendam o Ministério da Saúde e as campanhas de combate ao Aedes aegypti, o professor e pesquisador André Luís Soares da Fonseca afirma que a melhor estratégia contra o transmissor da dengue, zica e chikungunya, é que cada pessoa tenha em casa, e no trabalho, o seu próprio criadouro do mosquito. Segundo ele, todos deveriam ter na pia da cozinha e na mesa do escritório uma vasilha com água parada e ligeiramente suja, de modo a atrair e facilitar a postura de ovos pela fêmea do mosquito Aedes aegypti. Jogando-se fora a água a cada dois ou três dias e lavando a vasilha, elimina-se, de maneira simples e barata, toda uma geração desse mortal mosquitinho. Médico veterinário, advogado e professor de imunologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, André Soares baseia-se em estudos internacionais sobre o comportamento do Aedes aegypti para traçar sua própria estratégia de combatê-lo. “A partir do momento em que a fêmea do Aedes põe o ovo, ele demora de 10 a 450 dias para eclodir. Logo, se você joga fora a água em até 3 dias, estará, de uma maneira segura, evitando que a proliferação da espécie”, disse o pesquisador, em entrevista ao MidiaNews. “Obviamente, essa água não pode ser esquecida por mais de 10 dias, caso contrário estaremos estimulando o nascimento de mais mosquitos – daí porque recomendo que as vasilhas devam ser colocadas em locais visíveis, como a pia da cozinha ou a mesa de trabalho. É preciso ter disciplina, se não, é melhor nem fazer”, alerta. A política brasileira de combate ao Aedes aegypti é do Século 19 Para André Soares, "a política brasileira de combate ao Aedes aegypti é do Século 19”. É necessária, segundo ele, a estratégia de limpar terrenos baldios, retirando pneus e qualquer recipiente que acumule água, além de limpar e tapar caixas d’água. São os criadouros invisíveis e sem controle do mosquito, que devem mesmo ser eliminados. “Mas como jamais vamos eliminar 100% dos criadouros, o mosquito sempre vai encontrar um local para colocar seus ovos – então precisamos dar a ele uma alternativa que seja segura para o ser humano”. A estratégia estatal de jogar inseticidas para matar o mosquito adulto, segundo ele, também é pouco eficaz, uma vez que não chega a todos os lugares onde o mosquito se esconde e não considera o fator chuva. “O uso do inseticida só é eficaz se não chover durante os próximos dez dias, porque a chuva lava e dilui o seu efeito”, diz. Uma das consequências do “uso sem técnica” de larvicidas, afirma o pesquisador, pode ser o aumento de casos de câncer, dali a dez anos. Proliferação De acordo com um estudo do biólogo Wladimir Jimenez Alonso, do National Institutes of Health, da cidade de Bethesda, Estados Unidos, a eliminação pontual de criadouros, fruto das campanhas públicas de combate ao mosquito, é o provável fator porque ele tem se alastrado tão rapidamente pelo mundo e adquirido um poder cada vez mais letal. “Estudos comportamentais recentes sugerem que, em determinadas condições onde há uma menor disponibilidade de recipientes de água, a dispersão da fêmea do Ae. aegypti à procura de outros locais para oviposição é maior. Desta forma, o esforço atual para limitar a população de vetores através da redução de lugares de oviposiçao poderia estar estimulando a dispersão de adultos, e consequentemente do vírus”, escreve o biólogo. Segundo ele, “o controle das doenças pode estar sendo prejudicado pela falta de aplicação do conhecimento sobre o comportamento dos atores envolvidos na sua transmissão”, tanto no Brasil, quanto no mundo. Mosquito Aedes aegypti: espécie que transmite doenças no Brasil chegou em 1947, em um navio advindo da Ásia “Com a ajuda dos meios de comunicação para lembrar a população de realizar esta tarefa [de colocar armadilhas para o mosquito], conjuntamente à eliminação de outros focos, a dispersão dos adultos seria desacelerada, e ao mesmo tempo sua capacidade de reprodução (e de transmissão vertical do vírus) reduzida”, complementa o biólogo americano. Preferência pelas cidades Segundo o pesquisador André Soares, a tarefa de combate ao Aedes aegypti deve ser constante, feita durante todos os dias do ano e para toda a vida, já que o mosquito dificilmente será exterminado. O Aedes aegypti chegou ao Brasil em 1947, em um barco vindo da Coreia, que passou pelo Egito. É, portanto, a espécie “oriental” do mosquito quem dá as cartas por aqui. A fêmea é oportunista, coloca seus ovos um pouco em cada lugar – e como se alimenta principalmente de sangue humano, prefere viver nas cidades. Mais especificamente na sua casa, caro leitor.

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