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Aluna estuda 12 horas por dia e é a 1ª colocada em Medicina
15 de Fevereiro de 2016 ás 11:45 -

Maeli Romero, de 18 anos, acredita que teve que se dedicar mais por causa de ensino público

Aluna estuda 12 horas por dia e é a 1ª colocada em Medicina

VINÍCIUS LEMOS DA REDAÇÃO - MIDIANEWS

 

Focada e determinada em seus objetivos, a cuiabana Maeli Romero, de 18 anos, viu as 12 horas dedicadas diariamente aos estudos serem recompensadas quando descobriu que foi a primeira colocada no curso de Medicina, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), entre os estudantes do ensino público. A jovem cursou o Ensino Médio no Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), integrado ao curso técnico de Secretariado, e se formou em fevereiro de 2015. Em razão das greves, ela alega que foi bastante prejudicada e, para conseguir realizar o sonho de cursar Medicina, teve de recorrer a um cursinho pré-vestibular. “Medicina é um curso muito concorrido e minha escola estava com problemas por causa da greve. A formação que eu tive, durante o Ensino Médio, não seria suficiente”, explica. No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, a jovem revela que tirou uma nota que classifica como “insatisfatória” para o curso que almejava. Desapontada com o desempenho naquele que foi seu segundo ano realizando a prova, ela decidiu investir plenamente nos estudos. Medicina é um curso muito concorrido e minha escola estava com problemas por causa da greve Logo que se formou no Ensino Médio, Maeli entrou para um cursinho preparatório no colégio Master e passou a dedicar, aproximadamente, 12 horas por dia aos estudos. Além da rotina de preparação na escola, a estudante também incluía horas de estudo em casa, para que pudesse sentir-se ainda mais preparada para a prova. “Havia dias em que eu estudava até as 11 horas da noite, porque ficava olhando conteúdos e tentando aprender cada vez mais”, relembra. As redes sociais não foram abolidas da vida de Maeli no período de estudos. Ela optou por manter, moderadamente, o Facebook e aplicativos como o Whatsapp e o Snapchat. “Acho que, se utilizadas moderadamente, as redes sociais não atrapalham os estudos. Os aplicativos podem ser até uma ajuda, pois muitas vezes aproveitei o Whatsapp para debater sobre questões de provas”, comenta. Todo o esforço foi recompensado a partir do desempenho da jovem no Enem de 2015. Ela conseguiu obter 778 pontos. Com a nota, inscreveu-se no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) deste ano e conquistou a melhor colocação para o curso de Medicina da UFMT, entre os alunos que cursaram o Ensino Médio em escolas públicas. Para a estudante, a redação foi um dos itens que mais auxiliaram para que tivesse um bom desempenho na avaliação. Ela obteve nota 980 no critério, cuja nota máxima é mil. O tema do texto foi "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". O assunto chegou a fazer a jovem “tremer” de felicidade. “Quando eu vi a temática da redação, comecei a tremer e quase chorei na sala. Eu havia feito uns quatro textos sobre questões da mulher na sociedade, durante a minha preparação para o Enem e sabia que isso me ajudaria muito”, diz. A futura universitária utilizou, no texto, recursos argumentativos e fez comparativos entre a violência contra a mulher e textos clássicos, que havia estudado para a avaliação. Entre as relações que desenvolveu, ela comparou o tema com a canção “Rosa de Hiroshima”, de Vinícius de Moraes. Escola pública O Ensino Médio cursado em escola pública não bastou para que Maeli conseguisse a sonhada aprovação. Ela relata que greves, ausência de professores e alguns docentes desmotivados acabaram prejudicando sua vida acadêmica. A jovem afirma que todas as dificuldades trazidas pelo ensino público tiveram que ser compensadas pelo esforço e dedicação que passou a ter. “Eu tive que me dedicar muito. É cruel a gente ter que estudar tanto, chega a ser desumano. Mas eu tinha noção de que se eu não me esforçasse, não conseguiria passar. Muita gente tenta e acaba não conseguindo”. Depois de ter concluído o Ensino Médio, feito o cursinho preparatório particular e se dedicado intensamente aos estudos, sua nota teve um acréscimo de 90 pontos, comparado à avaliação do ano anterior, quando era somente estudante de escola pública. Para Maeli, o caso dela é uma exceção à regra de alunos de escolas públicas. Por conseguir realizar uma preparação melhor, ela acredita que acabou tendo benefícios que boa parte dos seus colegas de classe acabaram não conseguindo. “Eu me vejo como exceção, porque sei que muita gente não tem como pagar um cursinho e acaba tendo que estudar totalmente por conta própria”, diz. Eu me vejo como exceção, porque sei que muita gente não tem como pagar um cursinho e acaba tendo que estudar totalmente por conta própria Em relação à cota, a estudante acredita que é uma vantagem necessária aos alunos que estudaram em escola pública. “Eu tenho consciência de que, sem cursinho, não teria condições de passar no Enem. Estudar em escola pública é complicado. Houve muitos alunos na minha turma que abandonaram as aulas porque tiveram que trabalhar”, conta. “Sou totalmente a favor das cotas. Elas são realmente necessárias para quem estudou em escola pública”, completa. Caso não tivesse entrado pelo critério de cotas, Maeli não teria conseguido passar em Medicina por causa da ampla concorrência, pois a nota de corte para esta modalidade estava seis pontos acima do desempenho que obteve. Entretanto, ela conta que, mesmo sem o apoio por ter cursado Ensino Médio em escola pública, acabaria sendo selecionada para o mesmo curso em outras etapas do Sisu, que possui diversas chamadas, até que a quantidade de alunos seja completada. “Sem as cotas, não teria entrado na primeira chamada. Mas acredito que na segunda ou terceira, eu acabaria sendo selecionada”. Apoio A estudante destaca que a dedicação foi item fundamental para a aprovação no Sisu. Porém, o apoio das pessoas que convivem com a estudante também está entre os itens que colaboraram para o bom desempenho na avaliação. “Se eu não tivesse o apoio dos meus pais, dos meus professores e dos meus amigos, não sei se teria conseguido”, pontua. Filha de um piloto de avião e uma assessora de gabinete - e com uma irmã que é psicóloga -, Maeli estudou secretariado no Ensino Médio. Mesmo com áreas que em nada lembram Medicina, a estudante teve apoio dos pais. “Sempre tive apoio total dos meus pais. A minha mãe sempre esteve ao meu lado. A minha irmã também me ajudou muito”, detalha. Para ajudar a vencer a ansiedade pela espera do resultado do Sisu, os pais foram com a filha ao Pantanal. “Eu estava no hotel, quando meus amigos mandaram mensagem, dizendo que eu estava aprovada. Contei pra minha mãe e ela contou pro hotel inteiro. Todo mundo ficou sabendo que eu passei”, lembra. Futuro A atual certeza sobre o futuro nunca fez parte da vida da estudante, que somente decidiu fazer Medicina quando estava prestes a concluir o ensino médio. “Sempre fui muito indecisa. Somente optei por Medicina no terceiro ano, quando comecei a pesquisar sobre os cursos. Sempre gostei da área biológica e achei que era a melhor alternativa para a minha vida”, conta a jovem, que pretende especializar-se em neurocirurgia. Em decorrência da greve da UFMT, que durou mais de quatro meses, o período letivo referente ao primeiro semestre de 2016 deve ser iniciado em junho. Mesmo faltando alguns meses para começar a estudar, Maeli está tendo que lidar com a ansiedade para iniciar a nova fase de sua vida. “Estou bastante ansiosa para o início das aulas. Vou querer viver intensamente o curso, participar de congressos, da atlética e integrar projetos de extensão”, planeja. Conselhos Aos alunos que irão fazer o Enem neste ano, a futura universitária aconselha disciplina e atenção para aprender os conteúdos que podem ser abordados na prova. “É bom fazer um cronograma de estudos, para se organizar e não ficar perdido. É importante manter o conteúdo que será estudado em dia, pois quando você fica adiando, acaba acumulando tudo”, ensina. Procurar ajuda em grupos de estudos, bibliotecas e tirar um dia na semana para descansar e se divertir são alguns dos itens destacados pela estudante para obter um bom desempenho no Enem. “Os estudantes não devem decorar as coisas que são ensinadas, mas sim aprender todo o conteúdo. É importante também ter tranquilidade para poder prestar atenção nas questões”, orienta.

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