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Errar na Mosca
13 de Novembro de 2014 - Por

Maurício Munhoz

MAURÍCIO MUNHOZ

A empresa X acertou na mosca o resultado da eleição para governador de Mato Grosso em 2014 e para prefeito de Cuiabá em 2012. A mesma empresa X não acertou na mosca o resultado da eleição para senador de Mato Grosso em 2014, e errou na mosca para prefeito de Várzea Grande em 2012.

As duas frases acima, valem para os institutos de pesquisa, de um modo geral. As vezes acertam, as vezes erram. O que a KGM, empresa que com muito orgulho fui um dos fundadores, não poderia fazer é trabalhar com dados manipulados, para demonstrar que as outras não acertaram tanto quanto ela, nas eleições 2014.

A rigor, todas as empresas que a KGM mostrou no quadro publicitário que vi ontem pelos jornais, acertaram o resultado, apontando Pedro Taques como vencedor da eleição para governador de Mato Grosso. Ocorre que as empresas não ficaram tão longe do resultado real, e aí está a manipulação, como a KGM apresentou. A empresa mostrou os votos válidos apenas dela, deixando as demais empresas, com os resultados das intenções de votos, quando entram os votos brancos, nulos e indecisos.

Para todos entenderem: Em uma pesquisa que aponta as intenções de votos se o candidato A aparece com 20% e o B com 60%, evidentemente os outros 20%, que faltam para completar os 100%, são de indecisos, brancos e nulos. O que a KGM fez na peça publicitaria foi mostrar esses números de suas concorrentes e no dela, fez a ponderação, que no exemplo acima apontaria o candidato A com 25% e o B com 75% dos votos válidos. Simples assim.

Além disso, a empresa deixou de colocar algumas variáveis para que todos possamos fazer uma comparação, como é o caso do tempo.

Se uma empresa apresentou o resultado da sua pesquisa de campo na terça feira, não será o mesmo resultado de uma empresa que apresentou um resultado na quinta feira, mesmo que o espaço amostral seja o mesmo.

Já por outro lado, a KGM não apresentou o resultado da sua pesquisa, no mesmo pleito de 2014, para o senado federal. Creio eu, porque que neste caso a empresa não acertou na mosca (a empresa apontou que Welington Fagundes ganharia com mais de 23 % de diferença, mas ganhou com menos de 9%), assim como foi na eleição para prefeito de Cuiabá, em 2012, que ela acertou, mas que errou para prefeito de Várzea Grande, no mesmo ano, quando apontou a vitória de Lucimar Campos, com 10% na frente do prefeito eleito Walace e com mais de 20% na frente do Tião da Zaeli.(registro TRE 518/2012)

E não há nada de errado em não acertar uma pesquisa, é uma questão probabilística. Não existe qualquer empresa no mundo que sempre acertou. O erro é uma possibilidade estatística, sobretudo quando se fala em intenções, que é algo que muda. Hoje tenho a intenção de comprar um carro, amanhã posso não ter mais.

Mas enfim, achei importante publicar essa ponderação, respeitando e cumprimentando a empresa KGM pelos acertos, e lançando um olhar compreensivo para os seus erros e os “não tão acertos assim”.

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